ACRE,  NORTE

Parque Nacional da Serra do Divisor: a última fronteira do Brasil

“O Acre não existe”.

Você já ouviu essa frase, né? Aliás, você já pronunciou essa frase, estou errado?

Serra da Jacirana Acre

Graças a Deus, o Acre existe sim, e tem muita coisa boa a oferecer. Começando pela sua capital, Rio Branco, e terminando… onde “termina” mesmo o Brasil! 

O Parque Nacional da Serra do Divisor (PNSD prozmigo) é o ponto mais ocidental do país, fazendo fronteira com o Peru, e é um reduto de paz no mais profundo da floresta amazônica.

Chegar não é fácil e a experiência é intensa, mas foi, sem dúvidas, uma das viagens mais gratificantes que já fiz durante a minha aventura brasileira.

Quer descobrí-lo? Neste “mega-guia” juntei todas as informações que você necessita para sua viagem 😉 Leia até o final!

serra do divisor cachoeiras
Cachoeira Formosa

A Serra do Divisor é a fronteira natural que separa o Peru e o Brasil e também as respectivas bacias hidrográficas (rios Ucayali e Juruá), daí o nome.

Serra do Divisor localização
serra do divisor acre

Localização do PNSD (sim, tirei print do meu celular quando estive lá rs)

O Parque Nacional foi criado em 1989 e é gerido pelo ICMBio. Trata-se do quarto maior PN brasileiro, e é considerado o local de maior biodiversidade da Amazônia (alguns dizem do planeta!), sendo que se encontra em uma região de transição entre as terras baixas da Amazônia e as montanhas dos Andes.

O Parque consta de uma área norte (chegando-se através do rio Moa) e uma área sul (pelo rio Juruá). A parte turística fica na área norte, na comunidade “Pé da Serra”, onde tem a infraestrutura para hospedar visitantes, da qual iremos falar mais tarde.

Pelo fato de ser uma Unidade de Conservação, é necessário obter autorização do ICMBio para poder visitá-la. Mais para frente iremos tratar também este ponto.

Tem duas tribos indígenas (Nawas e Nukinis) cujos territórios limitam com o Parque (inclusive, algum pedacinho da área oficial do PNSD é reclamado como terra indígena até hoje). Os Nukinis são os mais abertos ao turismo, sendo que várias pessoas já foram visitá-los.

Dentre eles, o Josenir Melo, que em um dos seus episódios do Aventura no Ar fez uma parada em uma aldeia para conversar com um dos líderes da comunidade. Pode conferir no vídeo a seguir (do minuto 5:20 ao 8:30, se bem que eu recomendo assistir o clip inteiro porque contém umas imagens aéreas maravilhosas da Serra do Divisor).

Eu queria um bagulho desse para mandar um f*da-se e sair voando, você não?

Serra do Divisor e comunidade Pé da Serra: um pouquinho de história

A história do “descobrimento” da Serra do Divisor, assim como a história do Acre em si, está intimamente ligada aos seringueiros e ao Ciclo da Borracha.

Foram eles que começaram a se adentrar na mata rio acima, procurando novos terrenos para exploração e uma vida melhor da que eles podiam ter na cidade.

Aos poucos foram criando-se comunidades ribeirinhas em torno do rio Moa, vivendo da borracha porém também da roça, o gado (hoje proibido dentro do PN), a caça e a pesca.

Após o descobrimento de vários aspectos de interesse turístico, principalmente cachoeiras e uma enorme variedade de aves autóctones que atraem observadores de pássaros do mundo todo, a comunidade foi se abrindo ao turismo.

Pode ouvir um pouco desta história da boca do Argemiro Oliveira Magalhães, mais conhecido como Miro, filho de seringueiros que abriu a primeira e única pousada que existe atualmente no PNSD.

Como chegar na comunidade Pé da Serra

E é aqui que começa a odisseia 😅

Basicamente, o trajeto até o Pé da Serra deve ser realizado em quatro passos:

  1. Se deslocar até Rio Branco (normalmente de avião)
  2. Ir de Rio Branco a Cruzeiro do Sul (terrestre ou avião)
  3. Cruzeiro do Sul – Mâncio Lima (terrestre)
  4. Mâncio Lima – Pé da Serra (fluvial)

Vamos ver em detalhe cada um deles:

Sua origem - Rio Branco

O aeroporto de Rio Branco (RBR) recebe voos da LATAM (somente de Brasília) e da GOL (de Brasília e Porto Velho).

No meu caso, sendo que minha viagem pelo Acre foi a última parte de uma viagem pelo Mato Grosso e a Rondônia, fui de Porto Velho com a GOL por menos de 200 reais comprando com apenas 3 semanas de antecedência.

Rio Branco - Cruzeiro do Sul

Para este trajeto você tem 2 opções:

  • 700 km de estrada horrível (especialmente em época de chuva), com um ônibus da companhia TransAcreana que demora entre 12 e 20 horas para fazer o percurso. A passagem custa em torno dos 150 reais e sai às 7h da manhã e às 7h da tarde todo dia.
  • Voo direto da GOL, que demora 1 hora. Paguei 310 reais (ida e volta) comprando com 3 semanas de antecedência.
A escolha é sua, mas acho que não preciso dizer qual é a melhor né? 😛

Cruzeiro do Sul - Mâncio Lima

Para cobrir os 20 km que separam a segunda maior cidade do Acre do município mais ocidental do Brasil há várias alternativas também:

  • Um ônibus que circula entre 06h e 16h, com horários específicos (de hora em hora ou mais), 9 reais a passagem, 1 hora de percurso.
  • Lotação: carros que passam nos pontos de ônibus oferecendo a mesma viagem por 15 reais por pessoa, saem assim que o veículo lota e fazem o percurso em uma meia hora.
  • Táxi: a unica opção disponível caso seu voo chegue em Cruzeiro bem de noite (como foi meu caso). Se bem acostuma ter vários esperando na saída do aeroporto coincidindo com a chegada do voo de RBR, não é garantido. O valor é negociado diretamente com o taxista e fica em torno dos R$ 100.

Mâncio Lima - Pé da Serra

A parte final do trajeto é feita de barco pelo rio Moa. Tem vários barqueiros na cidade oferecendo o passeio, que devem ser avisados com antecedência.

Antigamente, as condições da viagem dependiam do tipo de embarcação e da época do ano, sendo que na estação seca só podiam ser usadas embarcações pequenas, o que fazia com que o tempo de deslocamento até o PNSD se ampliasse muito.

Hoje, graças a Deus (e a umas embarcações mais modernas), a época do ano não faz muita diferença e o percurso demora entre 5 e 7 horas, dependendo da capacidade da lancha.

serra do divisor acre
Lancha do Gilson

Curiosidade VSV: quer saber quanto demorava para chegar na Serra do Moa quando ainda não tinha lanchas a motor? O Miro nos conta nesta faixa:

Preparativos antes da viagem (importante!)

Chegar no PNSD envolve uma baita logística, e a não ser que você esteja mochilando pela região sem limite temporal e não tenha pressa, é bom ter feito um planejamento mínimo antes da viagem.

Além dos voos (óbvio), os principais pontos que devem ser levados em consideração são:

Obter a autorização do ICMBio

Este é um trâmite simples porém necessário. Basta mandar um e-mail para os responsáveis pelo PNSD ([email protected]) informando:

  • Nome completo
  • RG e CPF
  • Período de visitação

Normalmente, em um dia você receberá um PDF com a autorização na sua caixa, aí é só imprimir e levar com você.

Quem pode solicitar sua apresentação é a equipe do Batalhão do Exército 61º BIS, que fica na metade do caminho entre Mâncio Lima e a Comunidade, e pode fazer vistoria do barco e dos objetos transportados, revistando as mochilas (no meu caso, eles não fizeram na ida mas sim na volta).

serra do divisor como chegar
Posto do exército no Rio Moa

Agendar com o barqueiro

Uma vez contratado, o barqueiro te acompanhará durante toda a sua estadia até o retorno a Mâncio Lima, além de ser seu guia na maioria dos passeios. Isso significa que irá ficar longe de casa por uns 3-4 dias pelo menos, e né, a pessoa tem que se planejar (e avisar a muiê, é claro). Aí é bom já deixar agendado com ele antes (recomendo 2-3 semanas pelo menos).

Como disse, tem vários barqueiros em Mâncio Lima oferendo o serviço. Eu pessoalmente indico o Gilson, um cara muito gente fina e ótimo profissional. Pode contatar ele no (68) 99999-2233. 

Quanto custa? Bem, como ele vai ter que estar com você a viagem toda, você tem que pagar a diária dele, que é de R$ 130, vezes o número de dias que você for ficar no Parque. 

Dica VSV: fale para o Gilson que foi o “Daniel de Barcelona” que indicou, aí provável que ele faça um descontinho pra você 😉

Além da diária, você terá que arcar também com o custo do combustível, que hoje estaria por volta dos R$ 600, mas que pode flutuar dependendo do preço da gasolina, óbvio.

parque nacional da serra do divisor como chegar
No iate do Gilson

Contatar a pousada em Mâncio Lima (opcional)

Mâncio Lima é uma cidade minúscula, que conta com apenas uma opção de hospedagem: o Hotel Voyage. A diária custa uns 70 reais em quarto individual com banheiro, simples porém comfortável.

Coloquei “opcional” no título por 2 motivos:

  • Existe a possibilidade de se hospedar em Cruzeiro do Sul, que tem uma estrutura bem maior (não recomendo, pois os barqueiros saem de Mâncio Lima entre as 07h e as 08h da manhã, aí é melhor pernoitar no local).
  • Se sua chegada a Mâncio Lima for durante o dia, não deveria ter problema em achar alguém responsável pelo hotel, seja nele mesmo ou na lojinha (é hotel e distribuidora) que tem logo junto à entrada.

No meu caso, eu só cheguei por volta das 02h da manhã, com a cidade totalmente morta. Por sorte, tinha avisado tanto uma semana antes como o dia anterior à minha chegada, e veio uma pessoa me abrir. 

Para falar com eles, é só ligar no (68) 9955-9300.

mancio lima cruzeiro do sul
Hotel e Distribuidora Voyage (Google)

Contatar um taxista em Cruzeiro do Sul (opcional)

Conforme indiquei acima, apenas caso seu voo chegar de noite ou madrugada (como foi meu caso), é bom já ter agendado com um taxista da cidade para não ficar na mão.

Quem conseguiu o contato para mim foi o próprio ICMBio. Sendo que o Antônio, taxista que me levou a Mâncio Lima, não trabalha mais hoje em dia, sugiro perguntar para eles também.

Levar dinheiro!

Sua última oportunidade para sacar dinheiro será em Cruzeiro do Sul, onde só opera Bradesco, Caixa e Banco do Brasil.

Como todos os pagamentos no Parque devem ser feitos em dinheiro (por motivos óbvios), não esqueça de levar!

Onde ficar no Parque Nacional da Serra do Divisor

Se não fosse porque já antecipei a questão da pousada antes, o lógico seria pensar que, em um local tão isolado e de difícil acesso, a única “estrutura” para hospedagem seria as próprias casas dos moradores.

E de fato, existem ambas as opções.

Pousada do Miro

Alguns anos atrás, o Miro resolveu construir uma residência para ele e sua esposa Vanessa com as próprias mãos, para readaptá-la depois e virar uma pousada aconchegante, comfortável e, por que não dizer, pintoresca, no meio da floresta. 

Ele faz constantes ampliações e obras de melhoria das instalações, sendo que começou com apenas um barracão e agora já tem várias unidades com vários quartos em cada uma. Olha o tanto de coisa que tem:

  • Uma cabana principal bem pacata, feita em madeira, com 4 quartos e uma cozinha que serve como salãozinho para refeições.
  • Uma segunda cabana com 6 dormitórios e 4 banheiros (acredite, você vai agradecer MUITO isso).
  • Uma terceira cabana (em construção ainda) com 4 quartos e 2 banheiros.
  • Um refeitório para grupos grandes.
  • Banheiro exterior com 2 chuveiros
  • Eletricidade: há um gerador que funciona das 18h às 22h (pode ser ligado antes se precisar), e atenção, um projeto de instalação de placas solares.

O Ritz da Amazônia 😀

parque nacional da serra do divisor onde ficar
Pousada do Miro (abril 2017)

A pousada tem capacidade para hospedar 30 pessoas, porém levando rede ou barraca pode ficar na grama dos arredores, cabendo até 70 hóspedes no total.

O valor da diária está em R$ 100 com todas as refeições inclusas (café da manhã, almoço e janta), tudo feito com muito carinho, ingredientes naturais, e uma preparação excelente.

serra do divisor onde ficar
Café da manhã na Pousada do Miro

A Leticia, filha do Miro, cuida dos detalhes e ajudará a resolver tudo que for necessário. Pode contatar ela no (68) 9971-2127.

Casas de moradores locais

Existe a possibilidade também de se hospedar na casa de algum morador local, principalmente quando o barqueiro que você contratou é da comunidade. Aí você pode negociar com ele o valor do pacote completo.

Foi assim que fez a Carla, do Fui, Gostei, Contei. Pode ler o relato dela aqui para mais informações.

O que fazer no Parque Nacional da Serra do Divisor

Vou começar dizendo o que você NÃO vai fazer: mexer no celular. O PNSD encontra-se no meio da floresta virgem, onde não tem sinal algum. Uma ótima oportunidade para se desligar de tudo, fugir do agito diário e curtir o silêncio e a natureza.

A estadia mínima recomendada é de 2 dias completos no Parque, mais um dia de viagem por trecho, somando 4 dias no total. Se puder ficar um dia a mais, melhor.

Segue proposta de roteiro para 4 dias (caso estiver 5, é só dividir o Dia 2 em dois dias):

Dia 1: Mâncio Lima - Pé da Serra

O horário habitual de saída das embarcações é entre 07h e 08h da manhã. Aqui recomendo dar uma passadinha antes na Distribuidora Voyage para se abastecer para a longa viagem.

Tantas horas de barco dão para muita coisa: contemplar a paisagem e a fauna e flora locais, dar oi para os nativos que circulam em sentido contrário, conversar com os outros tripulantes, parar em alguma prainha de rio… e quando estiver [email protected], pode deitar em um espaço que a maioria dos barqueiros arrumam entre os vãos dos banquinhos e cochilar a vontade.

Cuidado!: no rio Moa tem candiru. Não sabe o que é? Dê uma olhada no link e descubra por que não é boa ideia fazer xixi no rio!

Chegando na pousada do Miro por volta das 15h, a princípio não tem refeição inclusa até o jantar, mesmo assim pode pedir uma farofa ou um refri, que eles providenciam 🙂

Aproveite para dar uma voltinha pelas redondezas, desfrutar da tranquilidade e a beleza do cenário, e bater um papo legal com os anfitriões. Depois, vá dormir cedo para descansar após um dia difícil e se prepara para o Dia 2, que é tenso.

como chegar na serra do divisor
Chegada no Miro
parque nacional da serra do divisor brasil
serra do divisor cruzeiro do sul

Claro-escuros na floresta

Dia 2: Cachoeira Formosa

Dia de acordar cedo, tomar um café energizante, e partir para a cachu mais exuberante da região: a Formosa. Águas negras e três quedas d’águas compõem o cenário natural.

A trilha não é fácil, apesar de não ser muito íngreme, e requer o acompanhamento dum guia da comunidade para o qual você tera que pagar R$ 100 (inclui o almoço que ele irá carregar para você). O início da mesma fica atrás de uma vizinhança próxima da pousada, do outro lado do rio Moa. 

Distante 15 km da comunidade, para ir até lá precisa fazer uma caminhada de entre 4 e 5 horas, travessando mata alta e fechada, trechos com muita lama escorregadia, córregos cheios de pedrinhas, pontes feitas de tronco de árbores… Ainda, o trecho final é feito andando diretamente pelo interior do igarapé Anil, durante algo menos de uma hora.

parque nacional da serra do divisor o que fazer
Isso aí é um "balseiro" (tronco caído)
serra do divisor o que ver
Igarapé Anil

Curiosidade VSV: se continuasse andando pelo igarapé por apenas mais 4 km, você chegaria na fronteira do Brasil com o Peru!

Depois que chegou na Formosa, tem 2 opções:

  • Curtir a cahoeira e tomar um delicioso banho de rio por uns 40 minutos e fazer logo o caminho de volta para não pegar o anoitecer dentro da mata.
  • Acampar à beira da cachu e retornar para a pousada no dia seguinte (para isto, precisaria desse dia a mais que comentei antes). Desta forma, dá muito mais tempo para aproveitar o local.

Se bem que a opção mais recomendada acostuma ser a segunda, eu só tive tempo para a primeira. É cansativo, mas nada que uma boa janta na pousada não compense 😉

Cachoeira Formosa Serra do Divisor Acre
Cachoeira Formosa

Dia 3: Cachoeiras próximas e mirante da Serra da Jacirana

A grande maioria dos atrativos turísticos do PNSD ficam nos arredores da própria pousada. Depois da cansativa jornada da Formosa, este dia é ideal pois não exige muito desgaste físico, fora a pequena trilha para o mirante.

Neste dia, seu barqueiro será seu guia. O roteiro mais habitual é o que leva primeiro às cachoeiras mais afastadas para terminar no cantinho do rio que é ponto de partida tanto para as cachoeiras do Amor e da Estátua como para o mirante.

Buraco da Central

Uma cascatinha na margem esquerda do rio marca o ponto da primeira parada. Trata-se da Cachoeira da Central, que se formou após a prospecção de petróleo que a Petrobras realizou há mais de cinco décadas.

No local foi feita uma perfuração de 700 metros, que não localizou o óleo porém se topou com um grande lençol freático que jorra o ano todo com água morna, virando uma espécie de banheira de hidromassagem natural, e fazendo uma queda d’água que cai direto no rio Moa.

Para chegar no buraco, é só subir uma pequena ladeira (escorregadia, cuidado).

Serra do Divisor cachoeiras
Cachoeira da Central
serra do divisor cachoeiras
O buraco da Petrobras
Buraco da Central Serra do Divisor

Uma jacuzzi natural no meio do mato

acre cachoeiras
A caldeira usada na prospecção se encontra no local até hoje

Cachoeira do ar condicionado

Possívelmente, a minha favorita da região.

É uma cahoeira não muito alta (uns 5 metros), mas com uma queda forte, que dependendo do volume de água se divide em duas quedas com formato de V. Foi nomeada assim por conta dum vento frio que sopra graças à velocidade da água.

Forma uma piscininha de águas cristalinas com fundo de areia, criando um enquadramento bem fotogênico.

Para chegar até ela, tem que fazer uma pequena trilha de uns 10 minutos, de aspecto parecido com a da Formosa.

Cachoeira do Ar Condicionado (Acre)
Cachoeira do Ar Condicionado
Cachoeira do Ar Condicionado - Serra do Divisor
Será que tá gelada?
Cachoeira do Ar Condiconado - Serra do Divisor (Acre)
Tá nada!

Cachoeira Pirapora

Esta é uma cachoeira cujo visual depende da época do ano: a altura dela no período da cheia cai pela metade respeito do período da seca.

Sua queda d’água cai no rio Moa, aí o acesso é direto do barco.

cachoeiras acre
Cachoeira Pirapora

Cachoeiras do Amor e da Estátua

São as duas cachoeiras que ficam mais próximas da pousada, e foram descobertas pelo Miro, que abastece a água de beber da primeira delas.

O acesso à Cachoeira do Amor é feito a través de uma trilha de 15 minutos, seguindo um córrego de água transparente. O cenário rende umas fotos bem bacanas.

Cachoeira do Amor - Acre
Trilha da Cachoeira do Amor

A cascata tem 20 metros de altura e a água cai reta dum buraco que tem no alto do paredão rochoso, parecendo um chuveiro mesmo.

Cachoeira do Amor - Serra do Divisor
Cachoeira do Amor - Serra do Divisor (Acre)
Cachoeira do Amor (Acre)

Cachoeira do Amor (o cara da última foto tem muito pra dar)

Já a Cachoeira da Estátua fica a uns 500 metros da do Amor, continuando a trilha. Após dois lances de escadas de pau, pode-se contemplar uma das mais belas quedas d’água do Parque. 

Infelizmente, quando eu fui, o acesso estava interditado por causa dum desmoronamento que tinha acontecido na entrada, e fui embora sem conhecer 🙁 Mas não se preocupe porque neste vídeo, a Mirla Miranda te mostra esta cachoeira (minuto 11:45) e todas as outras deste Dia 3.  

A reportagem é de 2011, mas você vai observar que pouca coisa mudou em quase 10 anos…

Mirante da Serra de Jacirana

Voltando das cachoeiras do Amor e da Estátua, é hora de se cansar um pouquinho subindo a ladeira íngreme do Morro Queimado, que leva ao mirante da Serra de Jacirana, que fica a 500 m acima do nível do mar.

Após uma caminhada duns 20-30 minutos, atinge-se o cume do morrinho, onde o Miro, com a ajuda de alguns vizinhos e familiares, construiu uma plataforma de uns 4 metros de altura para facilitar a visualização do Parque, o rio Moa, e quilômetros e quilómetros de floresta que se perde no horizonte.

serra do moa acre
Selva infinita
fronteira brasil peru
Daqui dá pra ver o Peru, lá no fundo

Algumas pessoas recomendam muito ir no mirante para assistir o nascer ou pôr-do-sol. Não tenho dúvidas que deve ser uma linda experiência (especialmente o amanhecer, pois a vista principal está orientada ao leste).

Descendo do mirante, tempo para tomar banho e um almoço farto na pousada, e aproveitar as últimas horas neste paraíso do sossego.

Outros lugares de interesse

Tem outros atrativos no PNSD que eu não conheci por falta de tempo, informações ou disponibilidade. Segue alguns exemplos:

  • Cachoeira do Pedernal
  • Foz do igarapé Ramon, local ideal para quem tem interesse em fotografar pássaros exóticos
  • Cachoeira grande
  • Cachoeira Mapinguari (foi descoberta no fim de 2018, evidenciando que ainda tem muita coisa por desbravar)

Dia 4: Pé da Serra - Cruzeiro do Sul - ...

Dia de acordar cedo, dar tchau pros magníficos anfitriões e fazer o caminho de volta pelo Moa, desta vez um pouco mais rápido do que na ida, ao navegar a favor de correnteza.

De Mâncio Lima pode pegar o ônibus para Cruzeiro do Sul, onde pode sair para conhecer se der tempo até a saída do seu voo. Recomendo subir na Ponte da União, sobre o rio Juruá.

cruzeiro do sul acre
Rio Juruá (Cruzeiro do Sul)

Conclusão

O Parque Nacional da Serra do Divisor é um daqueles tesouros bem pouco conhecidos e nada divulgados do Brasil.

É pura selva amazônica com cachoeiras gostosas, visuais lindos, pessoas simples e acolhedoras, história, e paz, muita paz. Uma excelente opção para quem curte turismo de aventura, ecológico e científico.

Um ótimo lugar para provar que o Acre existe SIM, e pode encontrar nele tanta beleza quanto em qualquer outro estado deste país incrível.

Se quiser conhecer o cantinho oeste do seu país, depois de ter lido até aqui não tem desculpa 😛 Só compre a passagem e vá!

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Bônus: uma reportagem maravilhosa

Estava encerrando o post quando me deparei com este vídeo sensacional no YouTube: uma reportagem de dezembro de 2018 da Agência de Notícias do Acre, conduzido pela Maria Meirelles, sobre a Serra do Divisor. 

Qualidade profissional, imagens de câmera e drone, uma trilha sonora legal, uma ótima reporteira, e um roteiro bem completo, que inclui:

  • Informações úteis acerca do Parque, o como chegar, o que levar, etc. 
  • Imagens da pousada do Miro e do café da manhã.
  • Filmagens da maioria de pontos turísticos da região, incluindo a cachoeira Formosa e a recém descoberta Manpinguari, o mirante, etc.
  • Entrevistas com o barqueiro Gilson, a Vanessa (mulher do Miro), a Eva Maria (cozinheira da pousada), e o Raimundo (comunitário).
  • Explicação, da boca dos próprios moradores, da importância do turismo para as comunidades locais.

Dura 20 minutos mas vale muito a pena mesmo assistir.

Sua vez!

E agora, continua pensando que o Acre não existe? Não me diga que não sentiu vontade de conhecer esta maravilha da natureza…

Bom, me diga sim! 

  • Está o Acre na sua agenda de viagens? Se sim, quais lugares?
  • Tinha ouvido falar da Serra do Divisor? Gostaria de ir algum dia?

Deixe o seu comentário, que eu irei super agradecer 🙂 Até a próxima viagem!

4 Comentários

  • Aitor Agirre

    Nossa senhora! Super guia!

    Gostei do Buraco da Central, acho que é a primeira vez que a natureza ganha apos uma prospecção de petróleo.

    Infelizmente, Acre é um dos nove estados brasileiros que não conseguí visitar.

    Abraço

    • Daniel

      Fala Aitor! Bele?

      Obrigado pelo comentário ! O Buraco da Central é uma dessas esquisitices provocadas pelo efeito do homem sobre a natureza, mas como você diz, desta vez a gente ganhou uma bela banheira de hidromassagem natural kkk

      Se falta apenas nove, isso significa que já visitou dois terços, tá de parabéns! Caso quiser alguma dica específica sobre algum desses nove, é só entrar em contato, será um prazer ajudar! 😉

      Abs e boas viagens!!

  • Érico

    Ótimo relato, Dani!
    Realmente o parque é pouquíssimo divulgado!
    Na verdade, acho que os lugares de interesse turísticos no Brasil são pessimamente divulgados. Não é à toa que o Brasil não se encontra nem entre os 20 países mais visitados/explorados.
    Ótimo blog!

    • Daniel

      Obrigado Érico!

      Poisé cara, aliás estive pesquisando semana passada e vi que o Brasil está na posição 46 na lista de países mais visitados. Absurdo!

      Abs

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